Bate-papo com Guga Rocha, nos 100 anos de Gonzagão

Por Thaís Jorge

Entre as coisas boas que a gastronomia nos permite, o que mais me encanta é a oportunidade de conhecer gente, compartilhar sabores, culturas e histórias. Afinal, não há quem não se envolva quando o assunto é comida, não é mesmo?

Diante disso, é claro que eu não perderia o evento em comemoração aos 100 anos de Gonzagão. Além de estar doida para provar as delícias tipicamente nordestinas, preparadas para a edição temática do Chefs na Rua, tinha outro incentivo: bater um papo com Guga Rocha.

O chef oferecia duas opções, ambas preparadas com carne de bode: Bode Quilombola com Mingaupitinga e o criativo Hot-Bode (gostoso demais!). Quem passava pela barraca 12, em busca de seu bode delícia, dava boas risadas com Guga Rocha, que atendia todo mundo com um baita sorrisão e um bom humor delicioso. “Olha o hot-bode, minha gente! BÉÉÉÉÉÉ!”.

Durante nossa conversa, Guga disse estar “amarradão” em participar do evento por dois motivos: homenagear Gonzagão e trazer a gastronomia nordestina para as ruas de São Paulo. “É legal a gente aproximar a gastronomia da rua. Com esse evento, especial para mim por homenagear os 100 anos do Luiz Gonzaga, podemos estar em um lugar super nordestino, como é o Anhangabaú, e trazer  um pouco da cozinha que a gente faz”, disse o cozinheiro alagoano.

Bastava ficar 5 minutos ao lado da barraca para perceber que, de fato, Guga Rocha estava curtindo – e muito! – esse contato com o público, que prestigiava a gastronomia. Prova disso, além de sua nítida e contagiante empolgação, foram suas palavras. “Eu gosto de estar em contato com as pessoas. Hoje, pelo o que o mercado oferece, eu trabalho com a alta gastronomia e, várias vezes, eu sinto uma falta muito grande disso: estar junto com as pessoas. Você vê, chega um cara aqui da região e um cara engravatado pra comer a mesma coisa: isso é fundamental para a minha filosofia sobre o que é a comida”.

Momento de tietagem. Não resisti!

O chef também revelou que está super a fim de participar de todas as edições do Chefs na Rua e dos eventos gastronômicos populares. Quem sabe a gente não esbarra com ele no próximo O Mercado (logo mais aqui no blog, a gente fala sobre ele!), hein? Eu já estou com os dedos cruzados! 😉

Para comer, precisamos nos sentir à vontade e confiar naquele que cozinha. Não tem nada mais gostoso do que agradar o paladar, ouvindo histórias, dando boas gargalhadas e perceber que naquele prato há mais do que temperos e ingredientes. A comida, verdadeiramente saborosa, contém felicidade, vontade de agradar, cuidado e aquela pitadinha de paixão pela cozinha. Eu não tenho dúvidas de que os pratos preparados pelo chef Guga estão cheios disso tudo.

Durante nosso bate-papo, o cozinheiro e apresentador do programa Homens Gourmet (♥), citou a música “Farinha”, de Djavan, dizendo que além do pé de macaxeira, todo cabra do Nordeste tem seu burrinho. Tomando Guga Rocha como exemplo, minha versão seria diferente. Além da macaxeira e do burrinho, todo cabra nordestino tem um amor imenso pela cozinha e seus principais ingredientes são a alegria e a simpatia.

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